sábado, 11 de dezembro de 2010

O grupo em palco

Começámos há cerca de um mês a trabalhar com o actor do Teatro do Montemuro, Paulo Duarte. Pretendia-se que estes jovens tivessem um contacto mais directo com o teatro, especialmente com esta companhia que lhes está tão próxima geograficamente; que fosse para eles um estímulo (para sentirem que tudo é possível quando acreditamos em nós); para se soltarem, ganharem confiança enquanto grupo. E talvez esta fosse uma oportunidade única para viver um pouco deste mundo. 
Inicialmente estavam previstas 4 sessões.  Onde nos levariam? Não sabíamos (e ainda não sabemos), mas o tempo nos dirá. Iniciaram-se as sessões em Novembro e foram sendo agendadas consoante a agenda do Paulo e dos jovens. Para além dos jogos que iniciam as sessões (para quebrar o gelo, descontrair e afastar o frio), seria trabalhado um tema, tema esse que se manteria durante todas as restantes sessões. Foram propostos os seguintes temas: solidão, liberdade e mudança. A solidão acabou por ser o tema mais votado. Porquê a solidão? Esta é uma região onde muitos idosos passam as suas vidas sozinhos. Muitos jovens, embora rodeados de pessoas vivem numa total solidão, num isolamento que os leva muitas vezes a terminar com as próprias vidas.
É então sobre este tema que trabalharemos. 

Esta foi a 3ª sessão. Nas anteriores trabalhámos a concentração, definimos o tema de trabalho e partilhámos textos e momentos que nos fizessem sentir sós. Hoje, tentámos conhecer-nos um pouco melhor a nós próprios e um pouco mais dos nossos companheiros. Tentámos definir-nos, olhar sinceramente para nós e dizer o que somos na realidade. Continuamos a trabalhar a concentração e iniciamos uma nova fase: a confiança. O entregarmo-nos completamente nos braços dos nossos colegas, sem medos, sem receios. Óbvio que haviam receios, óbvio que não sabíamos muito bem como fazer mas, bom, hoje foi só o começo. Lançámos também pequenos textos e tentámos exprimir os mais variados sentimentos com os nossos colegas através da expressão do nosso corpo, do nosso olhar... 
Na próxima sessão, já para a semana, levaremos um pouco dos nossos sonhos/pesadelos para partilhar com os outros e tentaremos criar história a partir dos mesmos, iniciando a representação. 
Tudo acontece sem pressões, sem nada que nos obrigue a partilhar coisas demasiado pessoais. 
Cada vez mais se sente que a partilha de sentimentos é mais natural. Pouco a pouco vamos crescendo, avançando e, mesmo não sabendo onde nos levará este caminho, todo ele já está a valer a pena.
10.12.10
Espaço Montemuro (sede do Teatro do Montemuro) - Campo Benfeito

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